
XXXVII
OH AMOR, oh raio louco e ameaça purpúrea,
me visitas e sobes por tua viçosa escada
o castelo que o tempo coroou de neblinas,
as pálidas paredes do coração fechado.
Ninguém saberá que foi a delicadeza
construindo cristais duros como cidades
e que o sangue abria túneis inditosos
sem que sua monarquia derrubasse o inverno.
Por isso, amor, tua boca, teu pé, tua luz,
tuas pernas,foram o patrimônio da vida,
os dons sagrados da chuva, da natureza
que recebe e levanta a gravidez do grão,
a tempestade secreta do vinho nas cantinas,
a chama do cereal no solo.
Pablo Neruda in Cem Sonetos de Amor
†GSD♀† Alejandro †GSD♀†®

Um comentário:
MUITO LINDO!PARABÉNS AMEI ...
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